O projeto foi estruturado em três pilares fundamentais que guiaram a transformação do Claro Arena:
- Comunidade. Foram realizadas sessões de “Portas Abertas” com os moradores do bairro, integrando suas demandas e preocupações ao desenvolvimento projeto. Priorizou-se a convivência harmoniosa, através da implementação de estacionamentos satélites e do planejamento de um fluxo de trânsito eficiente..
- Clima. O projeto leva em conta as temperaturas extremas e escassez de água, adotando soluções como a reutilização de águas cinzas e a implantação de gramado sintético, o que permite economizar até 100 mil litros de água por dia durante o verão..
- Recursos. Foram utilizadas mais de 2.100 toneladas de aço reciclado, 1.600 m³ de madeira maciça e instalados mais de 400 painéis solares, além da contratação de energia 100% renovável.
Cada um desses pilares foi essencial para alcançar o resultado de um estádio moderno, sustentável e conectado com as necessidades atuais e futuras da comunidade em seu entorno.
Compromisso comunitário antes da infraestrutura
O estádio está localizado em uma área privilegiada, aos pés da Cordilheira dos Andes, cercado por residências luxuosas em um dos bairros mais exclusivos de Santiago. No entanto, desde sua inauguração em 1988, as tensões com os vizinhos tem limitado as ambições do clube Universidad Católica, equipe da primeira divisão do futebol chileno.
“Sabíamos que a Universidad Católica queria remodelar o estádio, mas não conseguia obter a aprovação da prefeitura. Por isso, propusemos uma estratégia diferente”, explica Sebastián Luongo, gerente comercial da WSP no Chile. “Ao invés de um arquiteto desenhar a expansão do estádio para depois apresentá-la à comunidade, sugerimos que o clube iniciasse o processo conversando com seus vizinhos sobre como é viver próximo ao estádio. A partir dessa conversa, o projeto foi ajustado para mitigar os problemas existentes."
Por esse motivo, um aspecto central dessa gestão foi a articulação com as comunidades locais e demais atores-chave, promovendo a integração de forma eficaz da dimensão social nas decisões ambientais. A participação prévia e ativa das comunidades possibilitou a identificação de riscos e oportunidades, fortalecendo o vínculo com o território e garantindo um desenvolvimento mais harmônico e inclusivo do projeto. Sandra Botteselle, gerente de área ambiental, destaca que participar do processo de avaliação ambiental (DIA) representou um desafio significativo, especialmente tendo em conta a experiência limitada em projetos desse tipo no Chile.
“A combinação do relacionamento com a comunidade com a gestão ambiental desde o início do projeto nos permitiu minimizar riscos e garantir que cada etapa mantivesse os mais altos padrões de qualidade”, afirmou Sandra.
O projeto também contou com o protagonismo de profissionais como Velko Zuvic, gerente de operações de engenharia, que ressalta o orgulho e a responsabilidade de contribuir para uma obra emblemática, capaz de promover o desenvolvimento pessoal e profissional de todos os envolvidos.
“Colaborar em uma iniciativa dessa magnitude é uma oportunidade única de deixar uma marca significativa”, afirmou Velko.
Solução para poluição sonora e luminosa através da remodelação da cobertura
A remodelação da cobertura do estádio solucionou os problemas de poluição sonora e luminosa, graças a uma intervenção integral que ergueu uma estrutura completamente independente sobre a anterior. Com essa obra, a capacidade do estádio aumentou de 14.000 para 20.000 espectadores, além da construção da adição de cinco novos andares sobre a arquibancada principal. As instalações foram modernizadas, incorporando espaços multiuso que ampliam o uso do local para além dos dias de jogos e eventos.
Além disso, foram solucionadas duas das principais preocupações dos vizinhos: excesso de ruído e iluminação inadequada. As antigas torres de iluminação foram substituídas por luzes direcionadas para baixo, instaladas na nova cobertura do estádio, o que diminuiu a dispersão luminosa. Já a fachada norte foi isolada acusticamente para reduzir o impacto sonoro nas áreas residenciais do entorno.
Solução para problemas de trânsito com alternativas ao uso do automóvel
As conexões com o transporte público foram aprimoradas e, graças a parcerias com empresas de mobilidade elétrica, aumentaram as opções de transporte não motorizado. O antigo estacionamento gratuito passou a ser tarifado, e não foram criadas novas vagas para veículos dentro do estádio, seguindo uma estratégia voltada a desencorajar o uso do automóvel.
Como explicou Luongo, “se aumentássemos o número de vagas de estacionamento, aumentaria também o número de carros”. Nesse sentido, foi implementado um sistema de circulação interna mais eficiente, o que evita congestionamentos de veículos na área externa do estádio. Além disso, para distribuir melhor o fluxo de pessoas, foram criados estacionamentos satélites e o número de acessos ao estádio aumentou de dois para três.
Transformar a expansão do estádio em referência de sustentabilidade
A renovação do estádio Claro Arena trouxe soluções inovadoras que o posicionam como um dos espaços esportivos mais sustentáveis da região. Seu projeto integra eficiência energética, materiais de baixo impacto e tecnologias limpas que reduzem significativamente sua pegada ambiental.
O estádio opera com energia 100% renovável certificada, resultado de um acordo de fornecimento com a Enel. Além disso, a obra possui 400 painéis solares instalados em sua cobertura, que geram cerca de 350 MWh por ano, energia suficiente para cobrir o consumo médio de seis partidas de futebol por mês. Em conjunto, essas medidas evitam a emissão de aproximadamente 1.700 toneladas de CO₂ ao ano.
A infraestrutura elétrica do estádio, com potência instalada de 1.500 kW, garante um funcionamento eficiente e estável durante grandes eventos.
O campo é equipado com grama sintética de última geração (FieldTurf), composta por uma base amortecedora e preenchimento orgânico de cortiça. Essa solução oferece alto desempenho esportivo e reduz consideravelmente o consumo de água e os custos de manutenção quando comparada ao gramado natural.
Além disso, o projeto também inclui iluminação LED de baixo consumo, estações de recarga para veículos elétricos e um paisagismo composto por espécies nativas adaptadas ao clima de Santiago, reafirmando o compromisso do projeto com a sustentabilidade urbana.